Em recente artigo da Folha de São Paulo (* Folha, 14/03/2010), entitulado Arte Popular conquista novo status, podemos ver um exemplo que como a máquina econômica pode funcionar favorecendo projetos de inclusão social, no caso aqui a máquina do mercado das artes, calçado por seus representantes, os críticos e galeristas. Não que ali expressos exemplos disto.
O fato é que o mercado artístico está começando a reconhecer a arte popular como detentora não só de valor artístico, mas também de valores finaceiros além dos de ´chão de feira´. Como arte popular, na visão do artigo, possui produção não repetitiva, o artesanato não se aplica nesta valorização. Ainda não.
Na minha opinião, este processo de valorização financeira de peças de origem popular pode ser utilizado em favor da produção artesanal e agro-artesanal, na região nordeste, em especial. É aqui que encontramos a maior quantidade de representações de produtos com identidade cultural aplicada no Brasil. E é aqui que podemos atrair estes novos olhares, interligando ações com o turismo e os demais segmentos da economia criativa.
Aproveitemos este momento para tirar partido da atenção dada a estas representações da arte popular, e do artesanato popular. Ponhamos-os o real valor que possuem e coloquemos-os na prateleira que merecem.
Um momento de discussão sobre Design Social no Brasil. A moment of discussion on Social Design in Brazil.
domingo, 21 de março de 2010
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Requalificação de espaços comerciais
Embora design social possa ser visto apenas na aplicação em programas de geração de renda ou desenvolvimento social, podemos também ampliá-lo e insirí-lo no que concerne ao desenvolvimento de projetos de melhoria urbana, já que este acaba envolvendo melhoria das condições de trabalho para alguns segmentos econômicos.
é o caso dos projetos de requalificação urbana de antigas áreas comerciais, descaracterizadas pelo uso e tempo e degradadas pela violência do mercado.
Com este tema, escrevi um artigo, na verdade um estudo de caso sobre os Projetos Conceituais de Shopping a Céu Aberto, com o título de "Requalificação Comercial em Centros Urbanos no Interior Baiano", e tive a felicidade de ter este estudo selecionado e publicado no livro Estudos de Casos PROVAR/FIA/USP, que será publicado pela Editora Saint Paul.
O artigo trata da metodologia de trabalho de requalificação urbana utilizando a ferramenta do design estratégico, mas principalmente com a utilização e resgate de elementos culturais aliado ao processo de construção participativa, fazendo com que os interessados finais, os comerciantes, se apropriem desde o início do projeto final.
Compartilho esta informação também para reforçar a atuação do design em nichos específicos, tornando-o ainda mais uma ferramenta interdisciplinar.
é o caso dos projetos de requalificação urbana de antigas áreas comerciais, descaracterizadas pelo uso e tempo e degradadas pela violência do mercado.
Com este tema, escrevi um artigo, na verdade um estudo de caso sobre os Projetos Conceituais de Shopping a Céu Aberto, com o título de "Requalificação Comercial em Centros Urbanos no Interior Baiano", e tive a felicidade de ter este estudo selecionado e publicado no livro Estudos de Casos PROVAR/FIA/USP, que será publicado pela Editora Saint Paul.
O artigo trata da metodologia de trabalho de requalificação urbana utilizando a ferramenta do design estratégico, mas principalmente com a utilização e resgate de elementos culturais aliado ao processo de construção participativa, fazendo com que os interessados finais, os comerciantes, se apropriem desde o início do projeto final.
Compartilho esta informação também para reforçar a atuação do design em nichos específicos, tornando-o ainda mais uma ferramenta interdisciplinar.
Marcadores:
artigo,
Design,
estudo de caso,
projeto conceitual,
shopping a céu aberto
domingo, 15 de novembro de 2009
Simpósio Brasileiro de Design Sustentável
Dias 5 e 6 de novembro último, nas instalações da Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo, aconteceu o 2º Simpósio Brasileiro de Design Sustentável | 2º International Symposium on Sustainable Design, que propõe deixar a sua contribuição para um dos maiores desafios da vida contemporânea: encontrar um caminho sustentável que assegure uma melhor qualidade de vida sem limitar o potencial do mundo futuro.
Foram dois dias de intensa troca de experiência, nacional e internacional, onde pode-se ver que ainda há muitas questões a se tratar, e uma em especial me preocupa: o norte e o nordeste ainda caminha a passos pequenos no desenvolvimento de politicas de pesquisa e ensino na área. Poucos foram os representantes destas regiões a apresentarem trabalhos ou mesmo participarem. Embora seja nestas regiões que se encontrem, no Brasil, áreas de maior necessidade para implantar projetos de geração de renda e preservação ambiental. Sem dúvida, o resultado desse evento científico confirma a importância do campo do design no Brasil e a preocupação contínua para a construção de um mundo mais justo, mas devemos fomentar esta discussão à outras regiões. E um passo já foi dado ao se definir como Recife cidade sede da terceira edição do evento, em 2011. Esperamos até lá termos mais representantes apresentando casos e projetos de pesquisa.
Foram dois dias de intensa troca de experiência, nacional e internacional, onde pode-se ver que ainda há muitas questões a se tratar, e uma em especial me preocupa: o norte e o nordeste ainda caminha a passos pequenos no desenvolvimento de politicas de pesquisa e ensino na área. Poucos foram os representantes destas regiões a apresentarem trabalhos ou mesmo participarem. Embora seja nestas regiões que se encontrem, no Brasil, áreas de maior necessidade para implantar projetos de geração de renda e preservação ambiental. Sem dúvida, o resultado desse evento científico confirma a importância do campo do design no Brasil e a preocupação contínua para a construção de um mundo mais justo, mas devemos fomentar esta discussão à outras regiões. E um passo já foi dado ao se definir como Recife cidade sede da terceira edição do evento, em 2011. Esperamos até lá termos mais representantes apresentando casos e projetos de pesquisa.
Marcadores:
design social,
design sustentável,
Simpósio
domingo, 1 de novembro de 2009
Eco-Brand
Lendo o último Top of Mind da Folha de São Paulo (ed.29/10/2009) pude notar que da maioria das marcas de produtos citadas, apenas duas tinham o quesito responsabilidade social e ambiental vinculados à sua imagem. Uma delas, de cosméticos, já conhecida nacionalmente pelo seu movimento eco-social, e outra de detergentes. O mais interessante é o fato das outras marcas levantadas não serem citadas, ou não citarem suas ações sociais. Chego a conclusão que as ações sociais que estas executam (acredito que executem!) serem ações pontuais, não vinculadas diretamente à sua imagem, feitas como ações de utilidade pública.
Minha questão é a de quando teremos uma consciência de que ter atitudes socio-responsáveis não são exceção, mas sim padrão. Sim, podemos utilizar como ferramenta de promoção, mas sempre vinculadas à marca, para que tenhamos a sensação de que ter atitudes socialmente e ecologicamente responsáveis é natural.
Minha questão é a de quando teremos uma consciência de que ter atitudes socio-responsáveis não são exceção, mas sim padrão. Sim, podemos utilizar como ferramenta de promoção, mas sempre vinculadas à marca, para que tenhamos a sensação de que ter atitudes socialmente e ecologicamente responsáveis é natural.
Marcadores:
design social,
eco-brand,
mario bestetti
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Comer com a boca ou com os olhos?
Em recente evento sobre consumo, o professor Celso Grisi (FEA/USP) comentou sobre as necessidades do consumidor de baixa renda. Segundo o professor, este personagem é hoje “racional e exigente, preferindo produtos com qualidade suficiente”, sendo “mais sensível a preço e menos fiel a produtos e marcas” e com boa parte do orçamento gasto com produtos de primeira necessidade, para si e para família.
Trabalhando com comunidades de baixa renda e pouco acesso a meios de comunicação, tenho visto a dificuldade que é o acesso à bens de consumo básicos e cujo apelo comercial tenta atingir os mais longínquos cantos de nosso pais. E ai me veio a questão de como chegar até estes locais e pregar um discurso de valorização da sua cultura como elemento/produto de geração de renda, onde a (pouca) renda que surge vem da produção de bens de subsistência e vai para produtos essenciais para seu dia a dia.
Ou seja, como podemos transformar cultura em renda real, e de outro modo, cultura deve ser a solução para geração de renda?
Lia Krucker, professora da Escola de Design da UFMG, em seu livro ´Design e Território´, fala da tendência da valorização da origem do produto como diferencial mercadológico. E o design entra nesse processo como formatador do produto e gerador de meios de informação para com o potencial consumidor, aproximando-o do território.
Minha questão é se a valorização de elementos não tangíveis conseguirá sobrepor questões elementares/essenciais no consumo. Pensar que o mercado que consome produtos (e regiões) com valores culturais agregados é um público restrito e susceptível às movimentações econômicas nos leva a questão da sustentabilidade destas regiões.
Reinventando uma máxima já batida, devemos pensar o local, agindo localmente, mas ´olhando´ globalmente. A solução pode estar justamente na região, e geralmente, escondida sob o manto do obscurecimento causado pela contemporaneidade, onde o novo sempre prevalece.
Sim, pensamos sempre em satisfazer nossas mais primordiais necessidades (ou pelo menos foi esta a conclusão que Maslow chegou). Primeiro o meu umbigo! E esta cegueira branca não consegue ver que às vezes a solução primordial está sob nossos pés (literalmente, às vezes), e que ali se pode estar a contemporânea tendência futura.
Devemos manter a insistência no resgate, e principalmente manutenção, dos elementos culturais, mas também vinculá-los a outros segmentos econômicos para que os produtos oriundos da inserção de cultura deixem de ter apenas valor intrínseco, mas também valor tangível. Ai poderemos comer não só com a boca.
Marcadores:
Artesanato,
consumo consciente,
cultura,
design social,
economia,
gastronomia
segunda-feira, 4 de maio de 2009
A próxima onda
A próxima onda após a Era da Experiência será o Pré-Sentimento, onde as sensações deixarão de serem sentidas no ato (ou contato), para serem experimentadas (ou sentidas) no momento da sua intenção.
Marcadores:
branding,
experiência,
intenção,
onda,
sensação
Tendências de consumo em produtos sociais
Em recente pesquisa realizada por uma grande instituição de pesquisa internacional (GFK) em 32 países nos cinco continentes, apresentou as atuais tendências de comportamento de consumo mundial, 14 no total, sendo que no Brasil percebem claramente seis destas tendências: paradigma de vida saudável; consumidor em movimento; envelhecimento e mito da juventude; premiumisação(©GFK), boca-a-boca; e autenticidade.
Quando falamos em tendência de consumo, devemos observar o contexto em que nos encontramos, pois este cenário influenciará todas as ações realizadas por nós consumidores. E este cenário se apresenta em forma de uma crise econômica onde hábitos de consumo e cotidiano são mudados em função da instabilidade financeira que a economia brasileira se encontra, com a baixa demanda do crédito, retração do consumo e conseqüentemente da produção, crescimento do desemprego, etc.
Se este cenário prejudica o procura por produtos industrializados, devemos imaginar que os produtos sociais, mais susceptíveis as decisões de consumo, serão diretamente e mais rapidamente afetados. Mas, neste momento de reflexão, vemos que nas tendências que se apresentam percebemos um retorno às nossas origens, uma ´retrovisão´ de nós mesmos e de quem somos.
Uma busca de vida saudável nada mais significa que buscar no nosso interior um equilíbrio de vida, um respeito ao nosso corpo (físico e mental), ao tempo real que o nosso organismo tem (e não ao tempo que o nosso cotidiano demanda). Isto se expande a um envelhecimento saudável e busca da juventude, que aqui significa qualidade de vida dos jovens perpetuada às outras idades. E como fazer isto senão termos hábito e alimentação saudáveis. Características básicas dos produtos orgânicos e aquela vida tranqüila e idílica do interior.
O retorno ou a valorização da comunicação boca-a-boca, ou de respeito e credibilidade ao outro, nada mais pode significar que começarmos a olhar ao próximo não como um concorrente ou inimigo, mas sim como igual, e como igual, tendo uma personalidade única. Fortalece-se assim o crescimento de relacionamentos mais confiáveis e justos, onde todas as partes devem se beneficiar.
E o que é ser Premium Client senão ser único na relação. E ser único nada mais é que ser você mesmo, e não um ser inanimado ou tratado em terceira pessoa (quando não no gerúndio!). O desafio é fazer isto em uma sociedade de massa, onde a quantidade cresce exponencialmente. Mas lembremo-nos que cresce também o desenvolvimento tecnológico e sua conseqüente aplicabilidade no processo produtivo, possibilitando uma maior segmentação e personalização do mercado. Afora o fato de que quanto mais artesanal for um produto, mais único será. E como atingir a ´massa´? Ampliando a capacidade produtiva. Como? Democratizando o saber.
Enfim, temos um cenário econômico bastante perturbador. Mas como prega a sabedoria chinesa onde a palavra crise significa oportunidade, vemos o outro lado da moeda com a possibilidade de ampliarmos a demanda dos produtos gerados com respeito social e ambiental, onde um retorno ao autentico e ao original fortalece o comércio deste tipo de produção, e principalmente, onde muitos poderão incorporar-se ao processo de consumo de forma mais democrática.
Quando falamos em tendência de consumo, devemos observar o contexto em que nos encontramos, pois este cenário influenciará todas as ações realizadas por nós consumidores. E este cenário se apresenta em forma de uma crise econômica onde hábitos de consumo e cotidiano são mudados em função da instabilidade financeira que a economia brasileira se encontra, com a baixa demanda do crédito, retração do consumo e conseqüentemente da produção, crescimento do desemprego, etc.
Se este cenário prejudica o procura por produtos industrializados, devemos imaginar que os produtos sociais, mais susceptíveis as decisões de consumo, serão diretamente e mais rapidamente afetados. Mas, neste momento de reflexão, vemos que nas tendências que se apresentam percebemos um retorno às nossas origens, uma ´retrovisão´ de nós mesmos e de quem somos.
Uma busca de vida saudável nada mais significa que buscar no nosso interior um equilíbrio de vida, um respeito ao nosso corpo (físico e mental), ao tempo real que o nosso organismo tem (e não ao tempo que o nosso cotidiano demanda). Isto se expande a um envelhecimento saudável e busca da juventude, que aqui significa qualidade de vida dos jovens perpetuada às outras idades. E como fazer isto senão termos hábito e alimentação saudáveis. Características básicas dos produtos orgânicos e aquela vida tranqüila e idílica do interior.
O retorno ou a valorização da comunicação boca-a-boca, ou de respeito e credibilidade ao outro, nada mais pode significar que começarmos a olhar ao próximo não como um concorrente ou inimigo, mas sim como igual, e como igual, tendo uma personalidade única. Fortalece-se assim o crescimento de relacionamentos mais confiáveis e justos, onde todas as partes devem se beneficiar.
E o que é ser Premium Client senão ser único na relação. E ser único nada mais é que ser você mesmo, e não um ser inanimado ou tratado em terceira pessoa (quando não no gerúndio!). O desafio é fazer isto em uma sociedade de massa, onde a quantidade cresce exponencialmente. Mas lembremo-nos que cresce também o desenvolvimento tecnológico e sua conseqüente aplicabilidade no processo produtivo, possibilitando uma maior segmentação e personalização do mercado. Afora o fato de que quanto mais artesanal for um produto, mais único será. E como atingir a ´massa´? Ampliando a capacidade produtiva. Como? Democratizando o saber.
Enfim, temos um cenário econômico bastante perturbador. Mas como prega a sabedoria chinesa onde a palavra crise significa oportunidade, vemos o outro lado da moeda com a possibilidade de ampliarmos a demanda dos produtos gerados com respeito social e ambiental, onde um retorno ao autentico e ao original fortalece o comércio deste tipo de produção, e principalmente, onde muitos poderão incorporar-se ao processo de consumo de forma mais democrática.
Marcadores:
Consumo,
design social,
Produto Social,
social design,
Tendências,
Trend
Assinar:
Postagens (Atom)