O Paradoxo da Preservação
Em recente análise sobre o processo de comercialização de produtos artesanais de base cultural observei a necessidade do processo de inserção no mercado de forma a manter-se preservada a matriz cultural a qual determinado objeto faça parte. Ou seja, se faz necessário sua inserção no mercado comercial para que se gere algum subsidio criando sustentação econômico para os detentores do saber tradicional, pois estes, ou carentes de se inserirem na ´piscina de ofertas´ dos bens modernos, ou simplesmente precisando suprir as necessidades básicas de alimentação e moradia, acabam quase que obrigados a renderem-se às lógicas de nercado ou buscando outras alternativas. Nisso, alguns saberes se vão. Ou alguém acha que o governo tem/deve/vai custear ad eternum a cultura e seus produtos, do jeito que as coisas vão?
E ai me vêm um paradoxo no qual se faz necessário ceder aos excessos da mercantilização para sustentar o processo de preservação da base cultural.
Comercialização de Artesanato e Cultura
V V V
mercado <-------produto --<--cultura
V Î
Desenv.econômico ----->----> Manutenção
Ficarei aqui a pensar no assunto, mas já imagino nos ultra-conservadores com seu instinto preservacionista a flor da pele...
À bientôt!
In a recent analysis on the process of marketing of handicraft products observed the cultural basis for the process of entering the market to keep preserved the cultural matrix which particular object belongs. That is, it is necessary to its insertion into the commercial market for a subsidy if it generates creating economic support for the holders of traditional knowledge, for these, or in need of being grouped in the 'pool offers' of modern goods, or simply needing to meet the basic needs for food and shelter, they almost forced to surrender to logic nercado or seeking other alternatives. Herein, some knowledge is vain. Or does anyone think the government has / is / will pay for ad eternum culture and its products, the way things are going? And then I have a paradox in which it is necessary to give in to excesses of commodification process to support the preservation of the cultural base. I will be here to think about it, but I wonder how will be the ultra-conservative with their preservationist instincts under the skin.
Um momento de discussão sobre Design Social no Brasil. A moment of discussion on Social Design in Brazil.
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terça-feira, 26 de junho de 2012
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Shopping Center: opção de Lazer!?
Segundo uma pesquisa da IPSOS, os shoppings centers aparecem como principal opção de lazer das classes B e C, grande maioria da população, ou seja a antiga classe média e atuais classes em ascensão. Os principais motivos de se ir ao shopping, entretanto, não é o de consumo, de fazer compras, mas sim como opção de passear e se alimentar.
Após a babá eletrônica (a TV e os programas infantis), teremos agora as Creches Multi-Mix!
Educandários de futuros consumidores...
Após a babá eletrônica (a TV e os programas infantis), teremos agora as Creches Multi-Mix!
Educandários de futuros consumidores...
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Comer com a boca ou com os olhos?
Em recente evento sobre consumo, o professor Celso Grisi (FEA/USP) comentou sobre as necessidades do consumidor de baixa renda. Segundo o professor, este personagem é hoje “racional e exigente, preferindo produtos com qualidade suficiente”, sendo “mais sensível a preço e menos fiel a produtos e marcas” e com boa parte do orçamento gasto com produtos de primeira necessidade, para si e para família.
Trabalhando com comunidades de baixa renda e pouco acesso a meios de comunicação, tenho visto a dificuldade que é o acesso à bens de consumo básicos e cujo apelo comercial tenta atingir os mais longínquos cantos de nosso pais. E ai me veio a questão de como chegar até estes locais e pregar um discurso de valorização da sua cultura como elemento/produto de geração de renda, onde a (pouca) renda que surge vem da produção de bens de subsistência e vai para produtos essenciais para seu dia a dia.
Ou seja, como podemos transformar cultura em renda real, e de outro modo, cultura deve ser a solução para geração de renda?
Lia Krucker, professora da Escola de Design da UFMG, em seu livro ´Design e Território´, fala da tendência da valorização da origem do produto como diferencial mercadológico. E o design entra nesse processo como formatador do produto e gerador de meios de informação para com o potencial consumidor, aproximando-o do território.
Minha questão é se a valorização de elementos não tangíveis conseguirá sobrepor questões elementares/essenciais no consumo. Pensar que o mercado que consome produtos (e regiões) com valores culturais agregados é um público restrito e susceptível às movimentações econômicas nos leva a questão da sustentabilidade destas regiões.
Reinventando uma máxima já batida, devemos pensar o local, agindo localmente, mas ´olhando´ globalmente. A solução pode estar justamente na região, e geralmente, escondida sob o manto do obscurecimento causado pela contemporaneidade, onde o novo sempre prevalece.
Sim, pensamos sempre em satisfazer nossas mais primordiais necessidades (ou pelo menos foi esta a conclusão que Maslow chegou). Primeiro o meu umbigo! E esta cegueira branca não consegue ver que às vezes a solução primordial está sob nossos pés (literalmente, às vezes), e que ali se pode estar a contemporânea tendência futura.
Devemos manter a insistência no resgate, e principalmente manutenção, dos elementos culturais, mas também vinculá-los a outros segmentos econômicos para que os produtos oriundos da inserção de cultura deixem de ter apenas valor intrínseco, mas também valor tangível. Ai poderemos comer não só com a boca.
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